Ronco em crianças é normal? Entenda quando o sono pede atenção

11 de junho de 2026

Você já entrou no quarto do seu filho à noite e o encontrou roncando, dormindo de boca aberta ou em posições estranhas, e ficou na dúvida se aquilo era apenas uma fase ou um sinal de que algo não vai bem? Muitas famílias me procuram exatamente com essa preocupação. O ronco em crianças costuma ser tratado como algo simpático, quase engraçado, mas nem sempre é tão inofensivo quanto parece. Em alguns casos, o ronco é a tradução de uma dificuldade respiratória durante o sono, com impacto direto no descanso, no humor, no crescimento e até no rendimento escolar. Neste artigo, quero ajudar você a entender quando o ronco é passageiro e quando ele merece uma avaliação cuidadosa, sempre com base em evidências e em uma escuta atenta da história de cada criança.

O ronco em crianças é normal ou é motivo de preocupação?

Roncar de vez em quando, especialmente durante um resfriado ou uma crise de alergia, pode acontecer e nem sempre indica um problema sério. Nessas situações, o nariz fica mais congestionado, a passagem do ar se reduz temporariamente e o ronco aparece por alguns dias. Quando o quadro respiratório melhora, o ronco tende a desaparecer.

O sinal de alerta surge quando o ronco se torna frequente, quase todas as noites, ou quando vem acompanhado de outros sintomas, como pausas na respiração, sono agitado, suor excessivo durante a noite e cansaço ao acordar. O ronco habitual não deve ser encarado como algo natural da infância. Ele pode indicar uma obstrução nas vias aéreas superiores que precisa ser investigada, pois o sono de uma criança tem papel fundamental no seu desenvolvimento físico e cognitivo.

Por isso, costumo dizer às famílias que o ronco ocasional, ligado a um quadro respiratório agudo, é diferente do ronco que se repete e persiste. Esse último é o que pede atenção e uma avaliação adequada.

Por que algumas crianças roncam durante o sono?

Para entender o ronco, é útil compreender, de forma simples, como funciona a respiração durante o sono. O ar que respiramos passa pelo nariz, segue pela garganta e chega aos pulmões. Quando dormimos, a musculatura da garganta relaxa naturalmente. Se a passagem do ar já está estreitada por algum motivo, esse relaxamento pode reduzir ainda mais o espaço disponível, fazendo com que os tecidos vibrem. Essa vibração é o que percebemos como ronco.

Na infância, as causas mais comuns dessa redução do espaço respiratório estão ligadas a estruturas localizadas no fundo do nariz e da garganta. Entre as principais, destaco:

  • Hipertrofia das adenoides: as adenoides são um tecido localizado no fundo do nariz, atrás da garganta. Quando aumentam de tamanho, dificultam a passagem do ar pelo nariz, o que favorece a respiração pela boca e o ronco.
  • Hipertrofia das amígdalas: as amígdalas ficam nas laterais da garganta. Quando muito aumentadas, podem ocupar parte importante do espaço por onde o ar precisa passar.
  • Obstrução nasal: quadros de rinite alérgica, congestão crônica e outras condições que deixam o nariz entupido contribuem para a respiração bucal e para o ronco.

É comum que mais de um desses fatores esteja presente ao mesmo tempo. Por isso, a avaliação individual é tão importante: cada criança apresenta uma combinação própria de características anatômicas e funcionais que precisam ser compreendidas antes de qualquer conduta.

Qual a diferença entre ronco simples e apneia do sono na criança?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes que recebo no consultório, e a distinção é fundamental. O ronco simples, também chamado de ronco primário, é aquele em que a criança ronca, mas mantém a respiração de forma adequada, sem interrupções importantes na entrada de ar e sem grandes prejuízos à qualidade do sono.

Já a apneia obstrutiva do sono é uma condição mais relevante. Nela, ocorrem episódios de obstrução parcial ou total da passagem do ar durante o sono, com pausas respiratórias e redução da oxigenação. A criança pode apresentar engasgos, esforço para respirar, despertares frequentes e sono fragmentado, mesmo que não se lembre de nada disso ao acordar.

O ponto importante é que nem sempre dá para diferenciar o ronco simples da apneia apenas pela observação em casa. Ambos podem se manifestar com ronco. A investigação clínica detalhada e, quando indicado, exames específicos ajudam a esclarecer o que está realmente acontecendo. Essa diferenciação orienta toda a conduta, pois o ronco simples e a apneia podem demandar abordagens distintas.

Quais sinais indicam que o sono do meu filho merece avaliação?

Como o ronco nem sempre é fácil de interpretar, oriento as famílias a observarem o conjunto de sinais, e não apenas o barulho durante a noite. Alguns indicadores que costumam justificar uma avaliação com o otorrinolaringologista incluem:

  • Ronco frequente, presente na maioria das noites;
  • Respiração predominantemente pela boca, inclusive durante o dia;
  • Pausas na respiração durante o sono, percebidas pelos pais;
  • Sono agitado, com mudanças constantes de posição;
  • Suor excessivo durante a noite;
  • Cansaço, irritabilidade ou sonolência ao longo do dia;
  • Dificuldade de concentração e queda no rendimento escolar;
  • Infecções de garganta ou de ouvido de repetição;
  • Dificuldade para ganhar peso ou alterações no crescimento.

Quero reforçar um ponto importante para acolher quem lê este texto: perceber esses sinais não significa, em hipótese alguma, que você falhou como pai ou mãe. Muitas dessas alterações são silenciosas e se desenvolvem aos poucos. O simples fato de observar o sono do seu filho e buscar informação já demonstra cuidado. A boa notícia é que, na maioria das vezes, existe explicação e existe tratamento.

Quais os efeitos do sono ruim no desenvolvimento das crianças?

O sono não é apenas um período de descanso. Durante o sono de boa qualidade ocorrem processos essenciais, como a consolidação da memória, a regulação de hormônios ligados ao crescimento e a recuperação do organismo. Quando uma criança dorme mal de forma repetida, por causa de uma obstrução respiratória, esses processos podem ser prejudicados.

Na prática, observo que famílias relatam mudanças que, à primeira vista, não pareceriam ligadas ao sono. Uma criança que dorme mal pode se mostrar irritada, agitada, com dificuldade de atenção e até com queixas escolares. Em alguns casos, o cansaço crônico se confunde com outras situações, e a origem respiratória do problema passa despercebida por bastante tempo.

Por isso, considero fundamental enxergar a criança por inteiro. Não basta olhar apenas para o ronco isolado; é preciso compreender como aquele padrão de sono está influenciando o dia a dia, o humor, o aprendizado e o crescimento. Essa visão integral faz parte da minha forma de praticar a otorrinolaringologia, sempre considerando os aspectos físicos, emocionais e o contexto de vida de cada paciente.

Como é feita a avaliação de uma criança que ronca?

A avaliação começa antes de qualquer exame: começa pela escuta. Na consulta, dedico tempo para entender a história da criança, ouvir os pais com atenção e compreender desde a queixa principal até detalhes do dia a dia, do sono e da respiração. Pergunto sobre o padrão do ronco, a presença de pausas respiratórias, a qualidade do sono, episódios de infecções e o comportamento ao longo do dia.

Em seguida, realizo um exame físico direcionado, observando o nariz, a garganta, as amígdalas e outros aspectos relevantes. Quando necessário, conto com recursos disponíveis no próprio consultório, como os exames endoscópicos, que permitem examinar em detalhe o nariz e as vias aéreas. A nasofibroscopia, por exemplo, possibilita avaliar com precisão estruturas como as adenoides, ajudando a esclarecer o grau de obstrução. Esses recursos conferem agilidade e segurança ao diagnóstico.

Em determinadas situações, pode ser indicada uma avaliação complementar do sono, conduzida de forma multidisciplinar quando o caso exige. Tudo isso é definido caso a caso, sem fórmulas prontas. A conduta sempre depende de uma avaliação clínica criteriosa, considerando a história individual e, quando necessário, exames adicionais. Trabalho aqui na cidade de Bauru e atendo famílias de toda a região com esse mesmo cuidado.

Quais são os tratamentos possíveis para o ronco na infância?

Não existe um tratamento único que sirva para todas as crianças. A abordagem é sempre individualizada e depende da causa identificada, da intensidade dos sintomas e do impacto na qualidade de vida. De forma geral, as opções podem incluir:

  • Tratamento clínico: quando o ronco está relacionado a quadros como rinite ou congestão nasal, o controle dessas condições, com orientações e acompanhamento adequados, pode melhorar significativamente a respiração e o sono. O manejo de fatores ambientais e alérgicos também faz parte dessa estratégia.
  • Acompanhamento e reavaliação: em algumas situações, especialmente em casos mais leves, o acompanhamento ao longo do tempo permite observar a evolução, já que algumas estruturas podem variar de tamanho com o crescimento da criança.
  • Tratamento cirúrgico: quando a obstrução está relacionada ao aumento das amígdalas e adenoides, e há repercussão importante no sono e na respiração, a cirurgia pode ser indicada. A cirurgia de amígdalas e adenoides é um dos procedimentos mais realizados na otorrinolaringologia infantil. Ainda assim, a indicação nunca é generalizada: ela depende da avaliação individual, do quadro clínico e dos exames complementares.

Em alguns casos, as alterações respiratórias na infância também podem se relacionar ao crescimento facial. Nessas situações, atuo de forma integrada com a odontologia, buscando uma abordagem ampla e coordenada. O objetivo central é sempre o mesmo: ajudar a criança a respirar melhor, dormir melhor e se desenvolver de forma saudável, com segurança em cada etapa.

A cirurgia de amígdalas e adenoides é segura para crianças?

Entendo perfeitamente o receio que muitas famílias sentem diante da palavra cirurgia. É natural ter medo, dúvidas e a sensação de querer protegê-las de qualquer risco. Por isso, faço questão de explicar cada etapa com clareza, alinhando expectativas antes de qualquer decisão.

A cirurgia de amígdalas e adenoides é um procedimento consolidado e amplamente estudado na otorrinolaringologia. Quando bem indicada, pode trazer melhora expressiva na respiração, no sono e na qualidade de vida da criança. Contudo, ressalto sempre que nenhum procedimento oferece resultado idêntico para todos, e que a decisão deve ser construída em conjunto com a família, com base em evidências e na avaliação cuidadosa de cada caso.

Ao longo dos meus 16 anos de prática clínica e cirúrgica, com experiência em consultório e em ambiente hospitalar, aprendi que a segurança vai muito além da técnica em si. Ela está também no acompanhamento próximo, no esclarecimento das dúvidas e na presença do médico antes, durante e depois do procedimento. Esse cuidado integral é o que considero essencial para que a família se sinta amparada em todo o caminho.

Quando devo procurar um otorrinolaringologista para o meu filho?

Minha orientação é simples: sempre que o ronco for frequente ou estiver acompanhado dos sinais de alerta que mencionei, vale a pena buscar uma avaliação. Não é necessário esperar que o quadro se agrave para procurar ajuda. Uma consulta pode esclarecer dúvidas, identificar a causa e definir, com calma e critério, qual a melhor conduta.

Como otorrinolaringologista, com residência em Otorrinolaringologia pelo Hospital de Base de São José do Rio Preto e fellowship em Rinologia pela University of Miami, dedico-me especialmente às doenças respiratórias e aos distúrbios do sono, em adultos e crianças. Avalio cada caso de forma cuidadosa, individualizada e baseada em evidências, com o objetivo de oferecer não apenas um diagnóstico, mas um plano de cuidado que faça sentido para aquela criança e para aquela família.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi elaborado com rigor científico e revisado por mim, Dr. Luís Fernando Antunes Pinheiro (CRM 126.354 | RQE 31.529), otorrinolaringologista com fellowship em Rinologia pela University of Miami e título de especialista pela Academia Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. As informações apresentadas têm como base:

  • Diretrizes da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF);
  • Recomendações da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial;
  • Orientações da Associação Brasileira do Sono (ABS) sobre distúrbios respiratórios do sono;
  • Documentos da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) relacionados à saúde respiratória e ao sono na infância;
  • Recomendações da American Academy of Otolaryngology – Head and Neck Surgery (AAO-HNS).

A esse embasamento somo 16 anos de experiência clínica e cirúrgica com adultos e crianças, incluindo a coordenação do Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital Estadual de Bauru entre 2017 e 2024, garantindo um conteúdo confiável e focado em resultados práticos para a saúde do seu filho.

Perguntas frequentes sobre ronco em crianças

Toda criança que ronca tem apneia do sono?
Não. Muitas crianças que roncam apresentam apenas ronco simples, sem pausas respiratórias importantes. Porém, como nem sempre é possível diferenciar pela observação em casa, a avaliação clínica detalhada é essencial para esclarecer o quadro.

O ronco do meu filho pode atrapalhar o desenvolvimento dele?
Quando o ronco está associado a um sono de má qualidade de forma repetida, pode haver repercussões no humor, na atenção, no rendimento escolar e até no crescimento. Por isso, o ronco frequente merece avaliação.

Respirar pela boca é sinal de problema?
A respiração predominantemente pela boca, especialmente quando constante, pode indicar alguma obstrução nas vias aéreas, como aumento de adenoides ou congestão nasal crônica. Vale investigar para entender a causa.

A cirurgia é sempre necessária quando a criança ronca?
Não. O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas. Muitos casos respondem bem ao tratamento clínico e ao acompanhamento. A cirurgia é indicada apenas em situações específicas, após avaliação individual.

Com que idade posso levar meu filho ao otorrinolaringologista por causa do ronco?
Não existe uma idade mínima rígida. Sempre que houver ronco frequente ou sinais de alerta, a avaliação pode ser realizada, com abordagem adequada à faixa etária da criança.

Conclusão

O ronco em crianças nem sempre é apenas um detalhe inofensivo do sono. Em muitos casos, ele é a forma como o corpo sinaliza uma dificuldade respiratória que merece ser compreendida e cuidada. A boa notícia é que, com avaliação adequada, diagnóstico preciso e tratamento individualizado, é possível ajudar o seu filho a respirar e dormir melhor, com reflexos positivos no humor, no aprendizado e no crescimento.

Meu compromisso é unir técnica refinada, medicina baseada em evidências e acolhimento genuíno, caminhando ao lado de cada criança e de sua família em todas as etapas, do diagnóstico ao acompanhamento. Se você percebe que o sono do seu filho pede atenção, não precisa enfrentar essa dúvida sozinho. Agende a sua consulta presencial em Bauru, online ou no formato híbrido, para que possamos, juntos, encontrar a solução mais segura e adequada para o seu caso.

Artigos Relacionados