Distúrbios do sono no otorrino: da avaliação ao tratamento individualizado

5 de agosto de 2026

Você dorme a noite inteira, mas acorda como se não tivesse descansado? Ronca a ponto de incomodar quem está ao seu lado, sente sonolência ao longo do dia, irritabilidade e dificuldade de concentração? Os distúrbios do sono otorrino estão entre as causas mais frequentes e, ao mesmo tempo, mais subestimadas desse cansaço que parece não ter explicação. Não se trata de frescura nem de algo com que você precise simplesmente se acostumar: na maioria das vezes, existe um problema respiratório ou obstrutivo por trás dessas queixas, com causa identificável e tratamento possível.

Ao longo dos meus 16 anos como otorrinolaringologista em Bauru, atendi muitas pessoas exaustas de noites mal dormidas, além de famílias preocupadas com crianças que roncam, respiram de boca aberta e não descansam de verdade. A boa notícia é que, com uma avaliação criteriosa e o uso dos recursos certos, é possível compreender a origem do problema e construir um plano de cuidado individualizado. Neste artigo, explico como avalio os distúrbios do sono, quais exames utilizo e quais caminhos de tratamento existem, sempre com foco na sua qualidade de vida.

O que são distúrbios do sono e como o otorrino se relaciona com eles?

Distúrbios do sono são condições que comprometem a qualidade, a duração ou a estrutura do sono, prejudicando o descanso e a recuperação do organismo. Entre os mais comuns estão o ronco e a apneia obstrutiva do sono, quadros diretamente ligados às vias aéreas superiores, território de atuação da otorrinolaringologia.

Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa naturalmente. Quando existe algum ponto de estreitamento ou obstrução ao longo do trajeto do ar, o fluxo respiratório encontra resistência. Essa passagem dificultada faz os tecidos vibrarem, gerando o ronco. Em situações mais graves, a via aérea chega a colapsar de forma parcial ou total por instantes, interrompendo a respiração. É o que chamamos de apneia obstrutiva do sono.

Como otorrinolaringologista, avalio justamente essa anatomia: o nariz, a faringe, as amígdalas, a base da língua e todas as estruturas que podem contribuir para a obstrução. Por isso, o otorrino tem papel central na investigação e no tratamento dos distúrbios do sono otorrino, especialmente quando existe um componente respiratório envolvido.

Quais são os sinais de que meu sono pode não estar saudável?

Muitas pessoas convivem com sinais de sono de má qualidade sem perceber que eles têm relação com um problema tratável. Alguns dos sintomas mais frequentes que observo em consultório incluem:

  • Ronco intenso e habitual, muitas vezes relatado por quem divide o quarto;
  • Pausas na respiração durante o sono, percebidas por familiares;
  • Sensação de sono não reparador, mesmo após uma noite inteira dormindo;
  • Sonolência excessiva durante o dia, com dificuldade para se manter alerta;
  • Despertares frequentes, sensação de sufocamento ou engasgo à noite;
  • Dor de cabeça ao acordar, irritabilidade, alterações de humor e queda de rendimento no trabalho ou nos estudos;
  • Boca seca ao despertar e necessidade de respirar pela boca durante a noite.

Nas crianças, os sinais podem ser um pouco diferentes: respiração de boca aberta, ronco, sono agitado, irritabilidade, dificuldade de atenção e queda no rendimento escolar. Como a criança nem sempre consegue traduzir em palavras o que sente, cabe aos pais e aos profissionais de saúde observar esses indícios com atenção.

Nenhum desses sinais, isoladamente, fecha um diagnóstico. Contudo, quando aparecem de forma persistente, funcionam como um alerta importante para procurar uma avaliação especializada.

Qual a relação entre nariz entupido, ronco e apneia do sono?

O nariz é a porta de entrada natural do ar e desempenha funções essenciais: aquecer, umidificar e filtrar o ar que respiramos. Quando existe uma obstrução nasal crônica, o fluxo de ar encontra resistência já no início do trajeto, o que pode favorecer o ronco e agravar quadros de apneia.

Entre as causas mais comuns de nariz entupido estão o desvio de septo, a hipertrofia dos cornetos (também chamados de conchas nasais), as rinites e a sinusite crônica. Quando o paciente relata que sente o nariz entupido o tempo todo, muitas vezes há uma combinação desses fatores. Além do desconforto durante o dia, essa dificuldade respiratória tende a piorar à noite, quando estamos deitados e a musculatura relaxa.

É importante entender, porém, que o nariz é apenas uma parte da história. A apneia obstrutiva do sono costuma envolver múltiplos pontos de estreitamento das vias aéreas, e não apenas o nariz. Por isso, tratar somente a obstrução nasal nem sempre resolve o quadro por completo. Essa é justamente uma das razões pelas quais a avaliação individualizada faz tanta diferença: cada pessoa tem uma anatomia e uma combinação de fatores diferente.

Como é feita a avaliação dos distúrbios do sono no consultório?

A avaliação começa muito antes de qualquer exame. Na primeira consulta, dedico tempo generoso a ouvir a sua história. Quero entender há quanto tempo os sintomas existem, como é a sua rotina, a qualidade do seu sono, seus hábitos e o impacto que essas queixas têm na sua vida. Essa escuta ativa é parte fundamental do diagnóstico.

Em seguida, realizo um exame físico direcionado, observando o nariz, a garganta, o palato, as amígdalas e a estrutura das vias aéreas. Para tornar essa avaliação mais precisa, conto com recursos disponíveis no próprio consultório:

  • Nasofibroscopia: exame endoscópico que permite examinar em detalhe o interior do nariz, a rinofaringe e as estruturas próximas, identificando desvios, hipertrofias e pontos de obstrução;
  • Videolaringoscopia: avaliação da laringe e das vias aéreas mais baixas, útil para compreender a anatomia da garganta;
  • Audiometria: embora relacionada à audição, é parte de uma avaliação otorrinolaringológica completa, especialmente quando há queixas associadas.

A disponibilidade desses exames de nasofibroscopia e da videolaringoscopia em consultório confere agilidade e precisão ao diagnóstico, evitando encaminhamentos desnecessários e permitindo que a investigação avance de forma organizada.

Em muitos casos de suspeita de apneia obstrutiva do sono, o exame considerado padrão de referência é a polissonografia, um estudo do sono que registra parâmetros como respiração, oxigenação e estrutura do sono ao longo da noite. Esse exame é solicitado quando indicado e ajuda a confirmar o diagnóstico e a graduar a gravidade do quadro, orientando a conduta mais adequada.

Por que o tratamento dos distúrbios do sono precisa ser individualizado?

Não existe um tratamento único que sirva para todas as pessoas. Cada paciente apresenta uma combinação particular de fatores anatômicos, clínicos e de estilo de vida. É justamente por isso que valorizo tanto a individualização do tratamento.

Um adulto com apneia obstrutiva do sono associada a desvio de septo e hipertrofia de cornetos pode se beneficiar de uma abordagem diferente daquela indicada para uma criança com hipertrofia de amígdalas e adenoides. Da mesma forma, o peso corporal, a idade, a presença de outras condições de saúde e o grau de gravidade do quadro influenciam diretamente a escolha da conduta.

Pratico uma medicina baseada em evidências, mas sem perder o olhar humano. Isso significa considerar não apenas os aspectos físicos, mas também os emocionais e ambientais, e atuar de forma multidisciplinar quando o caso exige. Nas alterações de crescimento facial associadas aos distúrbios respiratórios em crianças, por exemplo, trabalho em parceria com a odontologia, buscando um cuidado mais completo.

Quais são as opções de tratamento clínico para o ronco e a apneia?

Nem todo distúrbio do sono exige cirurgia. Em muitos casos, o tratamento de ronco e apneia do sono começa por medidas clínicas, especialmente quando há causas que podem ser controladas de forma conservadora.

Entre as abordagens clínicas mais frequentes estão:

  • Tratamento das rinites e da inflamação nasal, com o objetivo de melhorar a respiração pelo nariz;
  • Manejo da sinusite crônica, quando presente, aliviando a obstrução e o processo inflamatório;
  • Orientações sobre hábitos de higiene do sono e posição para dormir;
  • Encaminhamento e cuidado compartilhado para questões relacionadas ao peso corporal, que têm impacto importante na apneia;
  • Uso de dispositivos, como aparelhos de pressão positiva nas vias aéreas, indicados em casos selecionados e sempre com acompanhamento adequado.

O objetivo do tratamento clínico é reduzir a resistência ao fluxo de ar e melhorar a qualidade do sono. A escolha de cada medida depende sempre de uma avaliação criteriosa da sua história e dos exames complementares, quando necessários. Não prescrevo condutas genéricas: cada plano é montado para o seu caso específico.

Quando a cirurgia é indicada nos distúrbios do sono?

A palavra cirurgia costuma gerar receio, e isso é absolutamente compreensível. Parte importante do meu trabalho é acolher esse medo, explicar tudo com clareza e alinhar as expectativas antes de qualquer decisão. A cirurgia não é o primeiro caminho para todos, e sua indicação depende de avaliação individual, do quadro clínico e dos exames complementares.

Existem situações, porém, em que a correção anatômica é fundamental para melhorar a respiração e o sono. Algumas das cirurgias mais relacionadas a esse contexto incluem:

  • Cirurgia de desvio de septo nasal: corrige o desvio da estrutura que divide as narinas, melhorando a passagem de ar;
  • Turbinoplastia: reduz o volume dos cornetos aumentados, aliviando a obstrução nasal decorrente da hipertrofia dos cornetos;
  • Cirurgia de amígdalas e adenoides: especialmente relevante em crianças, quando o aumento dessas estruturas obstrui as vias aéreas e compromete o sono;
  • Procedimentos sobre o palato e outras estruturas da faringe, indicados em casos selecionados de ronco e apneia.

Minha experiência em ambiente hospitalar, incluindo a coordenação do serviço de otorrinolaringologia do Hospital Estadual de Bauru entre 2017 e 2024, me permite indicar com critério, operar com técnicas modernas e acompanhar de perto cada etapa. Faço questão de estar presente no pré e no pós-operatório, porque acredito que a segurança do paciente depende também desse acompanhamento próximo. Não prometo resultados idênticos para todos, pois cada organismo responde de uma forma, mas trabalho para oferecer a conduta mais segura e adequada ao seu caso.

Amígdalas e adenoides em crianças: qual a relação com o sono?

Nas crianças, as amígdalas e adenoides aumentadas estão entre as causas mais comuns de obstrução respiratória durante o sono. Quando essas estruturas crescem além do esperado, podem estreitar a passagem de ar, provocando ronco, respiração de boca aberta e, em alguns casos, apneia.

Os pais frequentemente relatam que a criança dorme agitada, sua muito à noite, acorda cansada e apresenta dificuldade de concentração durante o dia. Esse sono fragmentado pode ter impacto no desenvolvimento, no crescimento e no rendimento escolar. Por isso, a avaliação de amígdalas e adenoides em crianças merece atenção especial.

A decisão sobre a cirurgia de amígdalas e adenoides nunca é tomada de forma automática. Avalio o histórico da criança, a frequência dos sintomas, o exame físico e, quando necessário, exames complementares. Em determinados casos, o tratamento clínico é suficiente; em outros, a cirurgia traz um benefício importante para a respiração e a qualidade do sono. O cuidado com as alterações de crescimento facial associadas a esses distúrbios respiratórios também entra nessa conversa, conduzido em parceria com a odontologia sempre que indicado.

Sono ruim pode estar ligado a outras queixas do otorrino?

Sim. As vias aéreas superiores estão interligadas, e um problema em uma região pode influenciar outra. A obstrução nasal crônica, por exemplo, pode coexistir com quadros de sinusite, rinite e até com queixas auditivas em algumas situações.

Por isso, quando avalio um paciente com distúrbio do sono, não olho apenas para o ronco ou para a apneia de forma isolada. Investigo o conjunto: a respiração nasal, a presença de sinusite crônica, o histórico de otite de repetição em crianças, eventuais queixas de audição e o contexto geral de saúde. Essa visão integrada é o que permite construir um plano de cuidado realmente eficaz, tratando a raiz do problema e não apenas os sintomas.

Vale reforçar que, mesmo diante de queixas persistentes, o tom aqui é de conscientização e não de alarme. A maior parte dessas condições tem diagnóstico bem definido e opções de tratamento consolidadas. O caminho começa com uma avaliação cuidadosa e criteriosa em consultório.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi elaborado com base em diretrizes e referências reconhecidas em otorrinolaringologia e medicina do sono, e revisado por mim, Dr. José Eduardo Antunes Pinheiro (CRM 151.217 | RQE 61718), otorrinolaringologista com fellowship em Rinologia pela University of Miami, buscando unir rigor científico e foco em resultados práticos para a sua saúde. As principais bases utilizadas foram:

  • Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF);
  • Academia Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial;
  • Associação Brasileira do Sono (ABS);
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP);
  • Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI);
  • American Academy of Otolaryngology – Head and Neck Surgery (AAO-HNS).

Essas referências se somam à minha experiência de 16 anos de prática clínica e cirúrgica com adultos e crianças, incluindo residência em Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pelo Hospital de Base de São José do Rio Preto e a coordenação do serviço de otorrinolaringologia do Hospital Estadual de Bauru entre 2017 e 2024.

Perguntas frequentes sobre distúrbios do sono no otorrino

Ronco sempre significa apneia do sono?
Não. O ronco pode ocorrer sem apneia, mas também pode ser um sinal dela. O ronco indica que há alguma vibração e resistência ao fluxo de ar nas vias aéreas. Quando associado a pausas na respiração e sono não reparador, aumenta a suspeita de apneia obstrutiva. A distinção precisa de avaliação especializada e, muitas vezes, de exames complementares como a polissonografia.

A apneia do sono tem tratamento?
Sim. A apneia obstrutiva do sono possui diferentes opções de tratamento, que vão desde medidas clínicas e uso de dispositivos até procedimentos cirúrgicos, dependendo da causa e da gravidade. O tratamento é sempre individualizado, definido após avaliação criteriosa e exames adequados.

Operar o nariz resolve o ronco e a apneia?
A cirurgia nasal pode melhorar a respiração e contribuir para o quadro, mas nem sempre resolve sozinha o ronco ou a apneia, já que esses distúrbios costumam envolver mais de um ponto de obstrução. A decisão sobre operar depende de avaliação individual e dos exames complementares.

Meu filho ronca. Devo me preocupar?
O ronco na infância merece atenção, principalmente quando vem acompanhado de respiração de boca aberta, sono agitado, cansaço durante o dia ou dificuldade de concentração. Em muitos casos, há aumento de amígdalas e adenoides. O ideal é buscar uma avaliação para identificar a causa e definir a melhor conduta.

Preciso fazer polissonografia para tratar o sono?
Nem sempre, mas em casos de suspeita de apneia obstrutiva do sono a polissonografia é o exame de referência para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade. A indicação é feita de acordo com a história clínica e os achados da avaliação.

O atendimento pode ser online?
Sim. Ofereço atendimento presencial, online e híbrido. Ainda assim, os exames endoscópicos e a audiometria são realizados presencialmente, quando indicados, para complementar a avaliação com precisão.

Voltar a dormir e respirar bem é possível

Conviver por anos com sono ruim, cansaço e ronco não precisa ser a sua realidade. Os distúrbios do sono têm causa, têm explicação e, na grande maioria das vezes, têm tratamento. O caminho começa com uma avaliação cuidadosa, que considera a sua história por inteiro e utiliza os recursos certos para chegar a um diagnóstico seguro.

O meu compromisso é oferecer um cuidado integral, com escuta ativa, técnica cirúrgica moderna e acompanhamento próximo em todas as etapas. Cada plano de tratamento é construído para o seu caso, com base em evidências e no respeito à sua individualidade. Atendo pacientes de Bauru e de toda a região, tanto adultos quanto crianças, sempre com foco na sua qualidade de vida.

Se você deseja voltar a respirar, dormir e descansar melhor, agende a sua consulta na Clínica Humanitare, em formato presencial, online ou híbrido. Vamos, juntos, encontrar a solução mais segura e adequada para o seu caso.

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