Você já parou para pensar no impacto que a praticidade dos alimentos modernos tem na sua saúde? Mais do que apenas “calorias vazias”, o consumo excessivo de produtos ultraprocessados está diretamente ligado ao aumento de peso e ao surgimento de doenças crônicas.
Neste artigo, a nutricionista Luciana Penhalbel explica por que esses alimentos são tão atraentes e como eles agem silenciosamente no seu organismo.
O que define um alimento como ultraprocessado?

Diferente dos alimentos frescos, os ultraprocessados são fabricações industriais que utilizam diversas técnicas de processamento. Eles contam com uma lista extensa de ingredientes, incluindo substâncias desenvolvidas em laboratório para:
- Aumentar o tempo de prateleira (durabilidade);
- Intensificar cor, sabor e aroma;
- Criar texturas extremamente atraentes e hiperpalatáveis.
Nutricionalmente, eles são desbalanceados. Apresentam altos índices de açúcar, sal, óleos e gorduras, além de um “coquetel” de aditivos químicos, como corantes, conservantes e adoçantes.
Exemplos comuns no dia a dia
Muitas vezes, esses produtos estão disfarçados de opções “práticas” para a rotina:
- Pães de forma, biscoitos e bolos industrializados;
- Macarrão instantâneo e temperos prontos;
- Refrigerantes, refrescos e bebidas energéticas;
- Iogurtes adoçados e aromatizados;
- Congelados prontos: pizzas, nuggets, hambúrgueres e embutidos (salsichas).
Por que os ultraprocessados causam ganho de peso?
O ganho de peso não ocorre apenas pelo alto teor calórico, mas pela forma como esses produtos enganam o nosso corpo.
1. Falha nos sinais de saciedade
A combinação de substâncias químicas interfere na comunicação entre o corpo e o cérebro. Isso faz com que a sinalização de saciedade não aconteça ou demore a ocorrer, levando ao consumo excessivo de calorias sem que você perceba.
2. O perigo das calorias líquidas
Bebidas como refrigerantes e refrescos possuem uma densidade calórica altíssima em pequenos volumes. Por terem um “hipersabor”, propiciam um consumo adicional de energia que contribui rapidamente para a obesidade.
3. Impacto hormonal e metabólico
O consumo recorrente altera o funcionamento de hormônios vitais, como a leptina e a insulina. Isso gera resistência insulínica e facilita o acúmulo de gordura corporal. Além disso, esses alimentos prejudicam a flora intestinal (microbiota), afetando negativamente o metabolismo e o controle do apetite.
Praticidade que custa caro à saúde
A indústria projeta esses produtos para serem consumidos em qualquer lugar, muitas vezes sem a necessidade de pratos ou talheres. Esse hábito de comer sem estar à mesa favorece a alimentação sem atenção (distraída), o que aumenta a quantidade ingerida.
Quando somamos esse padrão alimentar a um estilo de vida sedentário, abrimos as portas para a obesidade e comorbidades como:
- Diabetes;
- Câncer;
- Gordura no fígado (esteatose hepática);
- Aumento da circunferência da cintura.
Qual o segredo da alimentação saudável?
Como diz o ditado: “Não é só o quanto você come, mas o que você come”. Estudos comprovam que um IMC elevado está diretamente associado à frequência de consumo desses produtos industriais.
A recomendação fundamental é: priorize alimentos in natura. Se optar por ultraprocessados, que sejam consumidos de forma pontual e nunca como a base da sua dieta.

Luciana Penhalbel
Nutricionista, Clínica Humanitare
CRN3: 18024





