A relação entre câncer de intestino e a Endocrinologia

21 de janeiro de 2023
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Na segunda semana de janeiro, a cantora Preta Gil usou as redes sociais para falar sobre seu estado de saúde. Ela foi diagnosticada com câncer no intestino – Adenocarcinoma na porção final do intestino.

De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), são aproximadamente 40 mil casos novos diagnosticados por ano, entre homens e mulheres, sendo o terceiro mais incidente na população. Existe uma estimativa de que, mantida essa tendência, o número de casos aumente três vezes até 2030.

Ainda de acordo com a instituição, este câncer está fortemente associado aos hábitos de vida, e seus principais fatores de risco são:

  • Excesso de peso corporal
  • Inatividade física
  • Alimentação não saudável, pobre em frutas, vegetais e outros alimentos que contenham fibras

O consumo de carnes processadas (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, peito de peru e salame) e a ingestão excessiva de carne vermelha (acima de 500 gramas de carne cozida por semana) também aumentam o risco para este tipo de câncer.

Observa-se que a população está cada vez mais exposta aos fatores de risco e menos exposta aos fatores de proteção.

O combate à obesidade deve andar junto com a prevenção do câncer. O excesso de peso é fator de risco para diversos tipos de câncer — pelo menos 13 vezes maior! Como endocrinologista, lembro que a especialidade trata variadas doenças de diversos órgãos distintos, sendo a obesidade uma delas.

Referente ao câncer de intestino, emagrecer previne lesões intestinais que podem ser pré-malignas. Quem tem sobrepeso ou obesidade, ao emagrecer, diminui o risco de desenvolver pólipos intestinais. Geralmente os pólipos são benignos, mas com o tempo podem se tornar malignos.

Já o ganho de três ou mais quilos em cinco anos seria capaz de aumentar até 50% o risco de surgimento de um pólipo, segundo estudo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, que envolveu mulheres e homens americanos entre 55 e 74 anos.

O tratamento do sobrepeso e da obesidade envolve medicação que deve ser prescrita e orientada por um profissional habilitado, mas também o estímulo a um estilo de vida saudável — e quanto antes adquirido, melhor.

Quando o jovem adulto, por volta dos 20 anos, melhora a dieta, ele pode viver uns 10 anos a mais. Isso envolve a troca de uma dieta ocidental típica, repleta de gordura, açúcar, sódio e ultraprocessados, por um padrão alimentar com muito mais verduras, frutas, legumes e grãos integrais, e com menos carnes vermelhas no prato.

Foi isso que mostrou o estudo da Universidade de Bergen, na Noruega. Se liga na informação:

  • O simples fato de adquirir o hábito de comer legumes faria um rapaz de 20 anos ganhar mais 2 anos e meio de vida — e, para uma mulher, 2 anos!
  • Comer menos carnes processadas seria capaz de prolongar a vida dos jovens entre 1 ano e meio e 1 ano e 9 meses.

Por aí vai!

E aí? O que você acha? A endocrinologia tem relação ou não com o câncer de intestino?

Fontes

Abeso – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica
INCA – Instituto Nacional de Câncer

Referências dos artigos

DOI: 10.1093/jncics/pkab098
DOI: 10.1371/journal.pmed.1003889

Artigo escrito pela médica endocrinologista da Clínica Humanitare,

Dra. Roberta Penhalbel Pinheiro

(CRM 126383 / RQE 53788)

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